Bloqueador de Selecao

quarta-feira, 23 de julho de 2025

SONHOS NAO SÃO QUIMERAS, SÃO DESEJOS QUE NOSSO CORAÇÃO PODE REALIZAR.



Não sei dizer se é a falta do tempo, ou não querer perdê-lo, que nos leva a buscar coisas prontas ou pelo menos que nos deem o menos trabalho possível. É como se quiséssemos cortar caminho para chegar ao mesmo ponto que o coração visa.

No nosso relacionamento com outras pessoas temos também uma certa tendência a, ao invés de construir relações, querer encontrar coisas feitas, situações prontas e que nos deem segurança. Construir significa ter trabalho, empenhar-se, dar de si e, por que não, ceder e perder-se um pouco na busca de um encontro profundo.

Nos lamentamos pelo que não foi construído para nós e nos esquecemos do nosso poder de reparar, recuperar e reconstruir. Se temos um sonho, por que esperar que outros ponham as escadas no caminho para que subamos às nuvens? Colocando, nós, cada degrau, saberemos onde estaremos pisando. Aquilo que exige de nós tempo e esforço merecerá uma alegria muito maior no dia da conquista. 

Nossas razões nos colocam limitações. Os erros alheios nos parecem imperdoáveis e punidos somos nós pela rejeição da construção de uma vida diferente e nova, na qual seríamos o arquiteto, pedreiro e feliz proprietário. Quando deixamos de falar com uma pessoa porque nosso coração ficou ferido, vamos colocando a felicidade num passo a frente e aquele momento de zanga fica perdido. Se tínhamos dez oportunidades de sermos felizes, teremos apenas nove porque nosso coração foi orgulhoso demais e isso falou mais alto.

Toda felicidade não é utopia. Utopia é pensar que permanecendo na nossa dureza e guardando nossas razões estaremos ganhando alguma coisa. Sonhos não são quimeras, são desejos que nosso coração pode realizar.

Se o amor pudesse sempre gritar, se ele pudesse segurar nosso rosto para a direção do sol e das flores, seríamos mais felizes, menos sérios, menos graves, mais leves, mais próximos do céu.

Letícia Tompson

domingo, 29 de junho de 2025

A VELHICE NÃO ACEITA DESPREPARO.

 


A velhice não aceita despreparo.

Ela não chega com delicadeza... e quem a espera de mãos vazias, sente o peso da dependência.

Prepare-se. Tenha algo guardado, um teto seguro, um carro à disposição. Mas, acima de tudo, que tudo isso seja seu, porque envelhecer com dignidade exige autonomia.

Não reescreva seus bens. Não confie cegamente que alguém cuidará de você como cuida de si.

Seja leve: menos posses, mais paz. Quanto mais coisas você tem, mais elas te exigem.. e, se não perceber, passam a te possuir.

A arte de viver é uma habilidade rara. É saber dormir profundamente, comer com prazer, rir com liberdade _  e não se deixar consumir pelas preocupações.

Lembre-se: neste mundo, nada é realmente nosso. E quanto menos pertencermos às coisas, mais livres seremos por dentro.

A verdadeira prisão é a do apego. E a liberdade começa quando aprendemos a viver com o essencial.

(Robert De Niro)


segunda-feira, 23 de junho de 2025

CULPA OU SAUDADE?


(Dimitar Voinov Junior)
 

Saudade é exercitar a presença.
Culpa é exercitar a falta.

Saudade é reconhecer tudo o que foi feito.
Culpa é lembrar de tudo o que não foi feito.

Saudade é felicidade de ser.
Culpa é angústia de não ser.

Saudade é homenagem às virtudes.
Culpa é vergonha dos defeitos.

Saudade é somente precisar de si.
Culpa é responsabilizar o outro.

Saudade é ternura.
Culpa é tensão.

Saudade é andar pela memória.
Culpa é lembrança parada.

Saudade é se espantar com a experiência.
Culpa é estornar a experiência.

Saudade é permitir.
Culpa é proibir.

A saudade é resistência de viver.
A culpa é desistência de viver.

 A saudade é uma oração.
A culpa é uma maldição.

A saudade é um agradecimento.
A culpa é uma cobrança.

A saudade é buscar o melhor.
A culpa é não esquecer o pior.

A saudade é tranquilidade.
A culpa é desespero.

A saudade contenta-se com pouco.
A culpa não se contenta nem com muito.

A saudade é comédia romântica.
A culpa é drama.

A saudade alimenta-se de música.
A culpa cresce aos gritos.

A saudade é sentimento dobrado.
A culpa é ressentimento.

A saudade é distância.
A culpa é distanciamento.

A saudade é amar a solidão.
A culpa é odiar a solidão.

A saudade escreve a lápis para corrigir a tempo.
A culpa escreve a caneta para não dar segunda chance.

A saudade perdoa.
A culpa condena.

A saudade transforma a tristeza em prazer.
A culpa transforma o prazer em tristeza.

Com a saudade, o amor é possível.
Com a culpa, todo amor é um engano.


(Fabrício Carpinejar)


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