Às veze fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente.
Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais que isso.
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que sente.
Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir muros. Ser transparente é permitir que a doçura aflore, transborde. Mas, infelizmente, a maioria decide não correr esse risco.
Preferimos a dureza da razão à leveza reveladora da fragilidade humana.
Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam da alma.
Preferimos nos perder numa busca por respostas a simplesmente admitir que não sabemos nada e que temos medo.
Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção. E assim, vamos nos afundando em falsas palavras, atitudes, em falsos sentimentos.
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar: a doçura, a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós...
Sugiro que deixemos explodir toda a doçura.
Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis.
Chega de tentar controlar tanto...
Responder tanto...
Competir tanto...
Tente simplesmente viver, sentir e amar.
(Rosana Braga).


