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domingo, 13 de junho de 2021

O QUE REALMENTE SIGNIFICA TER ANSIEDADE.


                                                                      (Anne Stegg art)

A ansiedade, mal do século, doença que tem feito, ao longo dos anos, uma multidão de mentes cativas, é um mal a não ser desprezado, subestimado ou ignorado. É hora de encará-lo de frente. 
“O que realmente significa ter ansiedade
Vai além de simplesmente se preocupar. Ansiedade significa noites em claro, conforme você suspira e vira de um lado para o outro. É o seu cérebro nunca sendo capaz de desligar. É a confusão de pensamentos que você pensa antes da hora de dormir e todos os seus piores medos se tornam realidade em sonhos e pesadelos. É acordar cansada mesmo que o dia só tenha começado.
Ansiedade é aprender como funcionar em privação de sono porque você só conseguiu fechar os olhos às duas da manhã. É toda mensagem que você pensa ‘como fazer isso da forma correta?’. É duas ou três mensagens que você manda caso tenha feito algo errado. Ansiedade é responder mensagens de forma embaraçosamente rápida.
Ansiedade é o tempo que você gasta esperando uma resposta enquanto um cenário se monta na sua cabeça, questionando o que a outra pessoa está pensando ou se ela está brava. 
Ansiedade é esperar. Parece que você está sempre esperando. É o conjunto de conclusões inexatas que sua mente cria e você não tem outra escolha a não ser aceitá-las.
Ansiedade é se desculpar por coisas que nem precisam ser desculpadas.
Ansiedade é duvidar de si mesma e falta de autoconfiança. 
Ansiedade é um estado constante de preocupação, pânico e viver no limite. É viver com medos irracionais. É pensar demais, é se importar demais. Porque a raiz das pessoas ansiosas é se importar. É ter mãos suadas e coração acelerado. Mas por fora, ninguém percebe. Você aparenta estar calma e sorridente, mas por dentro é o contrário. 
Ansiedade é querer consertar algo que nem problema é. É o amontoado de perguntas que te fazem duvidar de si mesma. É voltar atrás para checar novamente.
Ansiedade é o medo de fracassar e a busca incansável por perfeição. E então se punir quando você falha. É sempre precisar de um roteiro e de um plano. É tentar suprir as expectativas dos outros mesmo que isso esteja te matando.
Ansiedade é aceitar mais do que você consegue lidar para que você se distraia e não pense demais em outros assuntos.
Ansiedade é procrastinar, porque você está paralisada pelo medo de fracassar. É o gatilho que te faz ter um ataque de pânico. É estar quebrada na sua privacidade e chorar de preocupação quando ninguém mais está vendo.
Mas, mais que qualquer coisa, ansiedade é se importar. É nunca querer machucar alguém. É nunca querer fazer algo errado. Mais que tudo, é o desejo de simplesmente ser aceita e querida. Então você acaba tentando demais às vezes.

E quando você encontra amigos que entendem isso, eles te ajudam a superar juntos. Você percebe que essa pode ser uma batalha que você enfrenta todos os dias, mas é uma que não precisa ser enfrentada sozinha".
(Por Revista Pazes-Texto foi originalmente publicado no site Thought Catalog, por Kirsten Corley)

domingo, 6 de junho de 2021

NOSSO CORAÇÃO É UMA CASA.


Nosso coração é uma casa onde ninguém entra e sai, com ou sem nossa permissão, sem deixar marcas nas paredes.
Muitos deixam marcas profundas de felicidade; outros deixam cicatrizes que marcarão nossa vida para sempre.
Os amigos deixam marcas fortes, mas suaves. E cada vez que tocamos nossa alma com nossas recordações lá estão os traços, invisíveis, mas legíveis, como as escrituras em Braile. É suficiente fechar os olhos para ver toda uma história gravada nas paredes do nosso ser. Nesses momentos nosso rosto sorri sozinho.
Os amores perdidos deixam marcas irrecuperáveis: eles deixam um gosto doce e amargo ao mesmo tempo. Amargo na maioria das vezes. Sim, eles têm mais gosto que qualquer outra coisa e sempre sobem à nossa garganta quando as lembranças nos assaltam.
Tristes são as marcas das dores que deixaram os que nos fizeram mal. São as cicatrizes que deformam nossas vidas se não aprendemos a conviver com elas. Mesmo se queremos ir adiante, de vez em quando nosso olhar se volta para esses rabiscos mal traçados e sentimos a dor tal e qual no primeiro dia.
Quantas vezes não impedimos que alguém entre por causa de preconceitos ou ideias pré-concebidas, ou medo de tentar de novo uma nova relação. Ao primeiro olhar, nos trancamos. Outras vezes, sem muita consciência, deixamos entrar quem não valia muito a pena. Somos maus juízes porque confiamos demais nos nossos olhos e de menos no nosso coração. Devemos pedir a Deus que nos dê um pouco mais de discernimento, pois agindo por nós mesmos, podemos estar nos trancando a maravilhosos encontros.
De vez em quando, é preciso fazer uma boa faxina nessa casinha tão preciosa. É preciso polir carinhosamente, realçar as marcas bonitas e passar tinta nova e clara nas paredes; de vez em quando é bom abrir as janelas e deixar que o sol entre e ilumine todos os cômodos. E enfeitar as janelas com flores de cores vivas e alegres.
De vez em quando é mesmo muito importante achar o cantinho mais gostoso dessa casa e sentar-se nele. E rir do nada. E jogar os ressentimentos para bem longe. Sentir-se bem consigo.
Se nosso coração é uma casa, faça do seu a casa dos seus sonhos. Lembre-se que não importa quantos entram e saem, você é o dono, só você é responsável. Faça mudanças necessárias. Jogue o inútil no lixo. Só não se esqueça, nessa mudança, de colocar de volta nas paredes essas marcas benditas que deixaram esses que foram bênçãos na sua vida. Dê a mão aos doces momentos, os momentos felizes. Tudo o mais é inútil, tudo o mais deve ficar pra trás.

Letícia Thompson


domingo, 30 de maio de 2021

SE A VIDA TE DER SAUDADE, FAÇA ARTE!

                                                             (Jean Paul Avisse)


Saudade do quê? Saudade de andar livre pelos caminhos. Saudade do calor das pessoas. Já me deu saudade do abraço, de respirar o ar que é nosso, de respirar junto, sabe? Eu, você, eles e nós.  Já me deu uma saudade, saudade essa que eu não supunha antes: saudade do trivial, saudade de dizer: "Vamos tomar um café qualquer dia desses, estou com saudades." Estou com saudades do café que não tomamos - porque certamente estávamos ocupados demais vivendo nosso 'sript', nossos passos tão bem coreografados, nossos segundos tão bem cronometrados.  

Saudade do longe. Tempo para o perto, do perto que eu estava distante. "Que bom, agora posso me aproximar... melhorar as raízes do meu mato."

E por essa saudade excessiva que eu sinto durante a quarentena passaram-me até receita para curá-la.

A receita é muito simples e mais ou menos assim:

Muito mais que caipirinha ou limonada, combine cores e amores. Se a vida de ter limões (ou saudades), dê uma gargalhada e diga que o cinismo desse tal coronavirus mexeu com a pessoa errada. Se a vida te der limões, aproveite a vitamina C . Na falta de mar, mentalize um mergulho e sinta o gosto do sal. Sinta o arder nos olhos, assim como o ardido do limão azedo. Acho que todo mundo aqui se preocupa com essa história de saúde, estão estamos em casa e com a energia a mil: escrevendo, lendo, fazendo e acontecendo. Vivendo o verdadeiro significado  das coisas simples. Estamos na cozinha, no banheiro e na sala de ser (e estar). Estamos fazendo nossa arte com a parte que nos cabe da saudade.


( Caroline Beatriz Machado Gaertner)


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