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domingo, 4 de dezembro de 2016

COMEÇAR DE NOVO, POR HILDA LUCAS.




"Quantas vezes pensamos: Ah, se eu pudesse começar de novo, faria tudo diferente... Começar de novo não é necessariamente começar de novo. Quando a vida lhe der uma oportunidade de recomeçar, pense novo. Às vezes, essas oportunidades chegam em forma de rupturas, mudanças dramáticas, perdas, rejeições, doenças. Às vezes, a chance se esconde no fim das grandes crises, das guinadas da sorte, das puxadas de tapete. Às vezes, só criamos coragem depois de perdermos o rumo, o chão.
Na maior parte das vezes, só enxergamos com clareza quando estamos de fora.
Começar de novo não é reiniciar, é inventar outro padrão. É preciso reconhecer os erros, os nossos e os alheios, as fraquezas, os excessos, os entraves. Começar de novo é permitir-se inclusive novos enganos, erros, fragilidades, mas não os mesmos. Só quem já apanhou da vida é capaz dessa façanha: passar os planos a limpo, faxinar os porões do coração, despedir-se daquelas dores crônicas, libertar-se do passado.
Quando os velhos modelos falem, os antigos códigos não dizem mais nada, o futuro imaginado desaparece e até os sonhos murcham , mas a despeito de tudo você percebe saídas, diagnostica a crise, identifica as fragilidades e não se dá por vencida; nesse momento você está engendrando o novo. Não uma retomada, mas uma nova história.
Só quem viveu bem suas perdas e enganos pode começar de novo. Só quem conhece o peso do fracasso, da solidão e da esperaça perdida pode trocar de pele, escolhas, script.
Como disse o filósofo: "O que não me mata, me fortalece." Alguns caminhos, erros e ideais só se percorre, comete, e persegue uma vez. Muitos deles tem prazo de validade. Nossas escolhas, certezas e sonhos não são estáticos; muitas vezes são eles que se mudam de nós, desistem, de nós; insistir é burrice, é prolongar o desgaste.
Quando a vida lhe der uma oportunidade de recomeçar, seja generosa, diga sim, surpreenda-se e experimente ser a pessoa que você se tornou depois que enfrentou suas noites traiçoeiras, chorou suas perdas, atravessou seus desertos, matou seus leões."

(Hilda Lucas).

A VIDA SEMPRE OFERECE DUAS OPÇÕES.

                                             


A vida sempre oferece duas opções,
se não há uma segunda porta,
pode apostar que existe uma janela,
ou um telhado que se possa abrir.

Por isso, você pode contemplar uma rosa,
sentir seu perfume inigualável,
perder-se com a beleza das cores,
e deixar-se levar pela magia das flores.
Ou sentir o espinho e reclamar da dor,
lamentar as folhas arrancadas.
Pode chorar por não ter recebido mais rosas,
ou ainda hoje, oferecer uma para alguém...

Você pode olhar o mar e se encantar,
sentir a água salgada refrescar a pele,
a força das ondas limpar as energias,
deliciar-se com o alimento que vem do mar
que pode ainda hoje, saciar a sua fome.
Ou pode lembrar da Tsunami que matou milhares,
das tempestades que afundam navios,
dos que morreram afogados...

Diante do Sol pode se aquecer,
lembrar que a vida não existe sem ele,
passear sem compromisso, tomar um sorvete,
ou olhar a terra seca, pensar no deserto,
chorar diante da semente que morreu,
lamentar o fruto que não floresceu.

Assim é a sua vida,
cheia de motivos para comemorar,
a saúde que não ligamos, até cairmos doentes,
a paz que temos, até que alguém nos rouba,
o amor que nos une, até que nos separamos,
a família que nos liga, até que nos distanciamos,
a humildade que queremos ter, até que o orgulho nos cegue,
o emprego que nos sustenta, até que a demissão nos atinge.

Mesmo diante da noite mais escura,
podemos acender um mísero fósforo e iluminar a rua.
Diante da dor mais profunda,
podemos confortar com um gesto, uma palavra.
Perto do fim, podemos encontrar o nosso começo,
e onde tudo parecer impossível,
nos resta o encontro divino com a fé,
onde Deus, que habita em nós, responde,
Filho, Eu estou aqui,
Eu sou o Amor.

Duas escolhas, sempre,
que o amor seja sempre a sua primeira escolha.



(Paulo Roberto Gaefke).


domingo, 27 de novembro de 2016

QUEM OBSERVA O VENTO NUNCA SEMEARÁ.


                                                                  (Alexander Gunin art)


Viver não é difícil, mas a gente complica. Queremos entender tudo, saber tudo, ter a ciência e as ferramentas e construir um mundo que, na realidade, está muito além de nós. Cada dia que passa nos surpreendemos com os acontecimentos, como se não fossem previsíveis e tentamos construir à nossa volta a redoma que vai nos proteger e dar abrigo aos nossos.

O que acontece aos outros pode nos acontecer, como o ar que invade cada narina dos animais e dos homens e os torna iguais, mortais e dependentes de uma força Maior. Essa realidade às vezes nos choca, como se não fôssemos, cada um, o outro para um outro. E ter consciência da vida, da sua fragilidade e beleza não deveria nos intimidar.

Cada dia basta a si mesmo e se as dores de ontem continuam doendo no peito, as possíveis alegrias do amanhã devem nos fazer olhar para o momento presente e construir com ele o melhor que podemos com as nossas mãos.

Precisamos viver agora como se o instante seguinte não fosse existir e fazer de cada momento o mais precioso de todos. Precisamos dar de nós com a consciência que o que fazemos ou deixamos de fazer fica enraizado nos que prosseguem em nosso caminho.

O amor, o ódio, a esperança e a desilusão são sementes que plantamos. O sorriso é o sol que oferecemos e o abraço o calor que abriga a vida. Cada instante temos escolhas, cientes ou inconscientes e elas constroem o que somos ou deixamos de ser.

Quem observa o vento, nunca semeará. Mas aquele que estuda seu coração e olha para o Alto, esse possuirá campos imensos e nada lhe será recusado. Deus ama ao que dá com alegria e oferece com alegria ao que ama. Se tiver que deixar uma herança aqui na terra, que seja esta: o bem que você fez sem contar e sem escolher.

Somos todos sim, construídos do mesmo barro, mas nosso coração se modela cada dia, com cada lição, cada porta que abrimos, cada mão que oferecemos.

 (Letícia Thompson).

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