A verdadeira essência
I – A inquietação
Já de nada vale a inquietação
Tudo tem um início e um fim
Os dias não começam nem acabam hoje
Nem o sol, nem o crepúsculo.
Já de nada vale a inquietação
Tudo tem um início e um fim
Os dias não começam nem acabam hoje
Nem o sol, nem o crepúsculo.
II – Os sonhos
Os sonhos são indomáveis
Perde-te no bailado que as sombras te oferecem para que à noite assistas tranquilamente ao embalar das palavras no colo da lua.
As tuas mãos perfumadas de alecrim, parecem adormecer sobre a noite
Inertes, acariciam as palavras que descansam no acolchoado das nuvens.
Perde-te no bailado que as sombras te oferecem para que à noite assistas tranquilamente ao embalar das palavras no colo da lua.
As tuas mãos perfumadas de alecrim, parecem adormecer sobre a noite
Inertes, acariciam as palavras que descansam no acolchoado das nuvens.
III – O silêncio
Não fales…!
Silencia o momento… sente a fragilidade dos ventos
Das névoas
Das esperanças
Dos silêncios que as noites e os dias guardam dentro de ti. Há momentos na vida, só para escutar…
Silencia o momento… sente a fragilidade dos ventos
Das névoas
Das esperanças
Dos silêncios que as noites e os dias guardam dentro de ti. Há momentos na vida, só para escutar…
IV – O tempo
Os ramos das árvores soltam sussurros nos braços dos ventos onde as memórias escrevem recordações em vales banhados pelos néctares das primaveras.
Nas leiras do tempo escoam-se vidas
Entre o tempo que dura o cair das folhas dos plátanos
Repartido entre manhãs e noites e pouco mais…
Os ramos das árvores soltam sussurros nos braços dos ventos onde as memórias escrevem recordações em vales banhados pelos néctares das primaveras.
Nas leiras do tempo escoam-se vidas
Entre o tempo que dura o cair das folhas dos plátanos
Repartido entre manhãs e noites e pouco mais…
V – Sorrisos, lágrimas
Guardamos, sabe-se lá onde, sorrisos largos, tão grandes que por vezes não cabem nos olhos que iluminam a trilha dentro de nós.
Mas também aprendemos a sentir o rolar das lágrimas, pelas pestanas dos rios dos nossos olhos, sem revolta… porque à nossa frente cantam rouxinóis que desafiam a nossa coragem e assim, a força prevalece.
Guardamos, sabe-se lá onde, sorrisos largos, tão grandes que por vezes não cabem nos olhos que iluminam a trilha dentro de nós.
Mas também aprendemos a sentir o rolar das lágrimas, pelas pestanas dos rios dos nossos olhos, sem revolta… porque à nossa frente cantam rouxinóis que desafiam a nossa coragem e assim, a força prevalece.
VI - Tão frágil a vida
E nós, todos nós… feitos de nada quando uma brisa mais forte sopra…
E assim corre o tempo no rio da vida,
Sóis de amor, de saudade
De luta, de desfrute
De dor, de alegria
Ilusões, vitórias, derrotas…
E nós, todos nós… feitos de nada quando uma brisa mais forte sopra…
E assim corre o tempo no rio da vida,
Sóis de amor, de saudade
De luta, de desfrute
De dor, de alegria
Ilusões, vitórias, derrotas…
VII - E assim se julga viver
Quando nos é permitido olhar o azul intocável do céu
Sentir o cheiro envolvente do mar
Ou contemplar o simples voo duma gaivota...
Meigo é o silêncio que nos revela a verdade de nada sermos, nos adiamentos, nos sonhos, nas vozes que guardamos em surdina dentro de nós.
Quando nos é permitido olhar o azul intocável do céu
Sentir o cheiro envolvente do mar
Ou contemplar o simples voo duma gaivota...
Meigo é o silêncio que nos revela a verdade de nada sermos, nos adiamentos, nos sonhos, nas vozes que guardamos em surdina dentro de nós.
VIII – A simplicidade
Mas no lar da simplicidade
Semeiam-se nenúfares na íris da vida
Pinta-se de cores o breu da noite
Inala-se demoradamente o perfume das flores campestres.
É lá que habitam as memórias… permanecem mesmo depois do fim
Escrevem-se no respirar do tempo
Nos cantos dos pássaros
Nos risos das crianças
Nas paredes brancas das casas humildes
No cheiro das madeiras…
Mas no lar da simplicidade
Semeiam-se nenúfares na íris da vida
Pinta-se de cores o breu da noite
Inala-se demoradamente o perfume das flores campestres.
É lá que habitam as memórias… permanecem mesmo depois do fim
Escrevem-se no respirar do tempo
Nos cantos dos pássaros
Nos risos das crianças
Nas paredes brancas das casas humildes
No cheiro das madeiras…
IX – A lareira do sonhar
Ouves o crepitar do silêncio na lareira do sonhar?
Está reservado aos nobres de espírito. Sei-te um deles!
Vai! Procura o cheiro do rosmaninho nas montanhas, mesmo que tenhas que inventar asas e sobrevoar o teu tempo.
Vai! No lugar mais recôndito, encontrarás o que procuras… não estarás só, os olhos dos pássaros dar-te-ão a visão necessária para que possas encontrar a tua verdadeira essência.
Ouves o crepitar do silêncio na lareira do sonhar?
Está reservado aos nobres de espírito. Sei-te um deles!
Vai! Procura o cheiro do rosmaninho nas montanhas, mesmo que tenhas que inventar asas e sobrevoar o teu tempo.
Vai! No lugar mais recôndito, encontrarás o que procuras… não estarás só, os olhos dos pássaros dar-te-ão a visão necessária para que possas encontrar a tua verdadeira essência.
Cecília Vilas Boas
TEMPO DA ALMA, Chiado Editora, 2014.
TEMPO DA ALMA, Chiado Editora, 2014.
