Bloqueador de Selecao

domingo, 21 de maio de 2017

SALVE SUA VIDA!




        Salve sua vida. 

        Afrouxe os nós da garganta, 

        tire os sapatos apertados 

        e troque a roupa suja. 

        Arrume tempo, 

        muito tempo para você, 

        abra a porta e deixe partir 

        quem mesmo ao seu lado já se foi. 

        Faxine sua alma dos empecilhos, 

        dos pecados, dos rancores. 

        Aprenda a ser livre 

        e se permita experimentar novas sensações. 

        Não espere chegar no limite 

        do "não aguento mais", 

        antecipe a sua alforria para o agora. 

        Afinal você não sabe quanto tempo ainda tem, 

        então aproveite porque 

        o que já passou não volta 

        e o hoje é o que se tem nas mãos. 

        Só te resta viver.


          (Fábio Figueiredo)



terça-feira, 2 de maio de 2017

PRECISAMOS QUE NOS OUÇAM COM AFETO.




Quando acontece uma coisa bem boa, qual é meu primeiro impulso ? Contar para alguém; aliás, contar para vários alguéns, contar para o mundo. Eu pego o telefone e vou ligando, pela ordem de amizade, só que nem sempre o universo conspira a meu favor.
Outro dia, às 2h da tarde, tive uma boa notícia e corri para o telefone. Na primeira chamada, atendeu a secretária eletrônica, mas nem deixei recado. Na segunda, o celular estava fora de área, na terceira, ouvi um “não está dando para falar agora, te ligo mais tarde”; a partir daí, nem lembro mais. Só poderia contar minha alegria a alguém muito íntimo, e tive aí o primeiro susto: quantos amigos íntimos eu tenho? Poucos, muito menos do que eu imaginava.
Será que Roberto Carlos conseguiu ter 1 milhão de amigos? Se eu tenho tão poucos, a culpa deve ser minha, claro que não procuro ninguém e quando me convidam para alguma coisa, com raras exceções, arranjo uma desculpa e digo que não posso ir. Aí fico pensando: preciso mudar. Vou começar abrindo minha agenda e ligando para pessoas que não vejo há séculos para dar um alô, dizer que estou com saudades, perguntar pela vida e terminar a conversa com o inevitável “vamos combinar de almoçar, te ligo”. E aí, vou ligar? Já sei que não, e se a pessoa me ligar, talvez diga que estou cheia de trabalho, na segunda-feira vou viajar, que telefono quando voltar. Difícil ser difícil, e difícil deixar de ser.
Com tudo isso até me esqueci do principal: continuei sem ter ninguém com quem compartilhar minha alegria. E é curioso: se minha alegria era tão grande, por que ela não me bastava, por que a necessidade de contar para o mundo? Será que não posso ser feliz sozinha? Por que será que quando se trata de boas  coisas preciso que o universo saiba, e quando estou triste prefiro ficar muda, sozinha? Fiquei pensando em tudo isso, mas continuei sem ter com quem falar sobre minha alegria, que àquelas alturas nem era mais tão grande assim.
O dia foi passando e eu esperando que meus poucos amigos íntimos chegassem em casa para poder contar. Às 7h recomecei a telefonar, e mesmo sem todo aquele entusiasmo, fui logo contando o “acontecido”.
A reação foi morna. “Ah, mas que ótimo, parabéns, você deve estar feliz”. Mais uma ou duas frases sobre o assunto e a conversa passou a ser a de sempre: a violência , a dieta que não se consegue fazer, a ginástica que vai mal, e daí a pouco a conversa acabou, com um “vamos ver se a gente almoça no fim de semana”, e ponto.
Um pouco mais, um pouco menos, foi igual com todos os meus poucos amigos íntimos e minha alegria, que tinha sido tão grande, murchou. Eu é que sou louca, pensei, afinal não havia motivo para tanta euforia.
Ou será que havia? E lembrei  de meu pai e de minha mãe; os pais são as únicas pessoas que têm todo o tempo do mundo para nos ouvir e são solidários não só nas nossas tristezas como também nas nossas felicidades. 
Estou sendo injusta,  nossos analistas também nos ouvem; mas às vezes a gente precisa mais do que de quem nos ouça. Precisa que nos ouçam com afeto.

Danuza Leão



domingo, 23 de abril de 2017

"TU TE TORNAS ETERNAMENTE RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS - SERÁ?


Vi uma entrevista com Padre Fábio de Melo e achei muito interessante a colocação do  Padre sobre as frases de efeito, principalmente aquelas contidas no livro 'O Pequeno Príncipe', de Antoine de Saint-Exupéry. Como exemplo, ele citou a frase do título: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Pensei que vale uma reflexão, principalmente considerando a argumentação apresentada por Padre Fábio, que é admirável em suas colocações. Independente de religião, há de se considerar que dito Padre, além de muito carismático, é portador de grande sabedoria.

Segundo ele, os "carentes de plantão", ou pessoas não muito equilibradas, costumam jogar frases de efeito sobre as pessoas para retirarem a sua responsabilidade de ser quem são ou como são.

"Há coisas que só eu posso me dar. Tenho que dar conta da minha vida. Não tenho que jogar sobre você os fatos que são meus. As pessoas que não fazem o menor esforço para viver este equilíbrio, de se pertencer, jogam esta frase de efeito, pois não têm maturidade afetiva".

Tal frase de efeito nos retira da responsabilidade de ser quem somos e de curar nossas próprias feridas. "Quem não está ferido nesta vida?", "Quem não foi traído"?, "Quem não foi enganado?"

Concluindo, diz o Padre: "Vamos fazer com que este prejuízo seja nosso. Vamos nos articular para sermos seres humanos melhores em nossas relações".

Bom, foi mais ou menos isso. Pensei e concluí que ele está certo. Esta história de querer escravizar o outro no mundo dos afetos não funciona, sabemos muito bem disso. Ninguém é eternamente responsável por ninguém que  tenha cativado no decorrer da vida. Tudo muda. As escolhas se sucedem. Então, 'bora lá' nos desapegar de determinadas frases de efeito e tocar a vida com equilíbrio, bom senso, raciocínio e liberdade para semear e colher afetos, sem qualquer tipo de cobrança.

Vale a pena pensar a respeito, não é?




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