segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

MUDANÇAS INTERNAS.

 


Antes eu esperava ter amor por mim mesma para para depois dá-lo a outrem. Tenho observado que, dando o amor que não tenho, surpreendo-me plena do amor que me falta.

Antes eu esperava possuir bens (materiais, culturais, espirituais) para reparti-los com meu próximo. Tenho percebido que o pouco que reparto com generosidade enquadra-me dentro de uma lei universal - "é dando que se recebe."

Antes eu esperava estar centrada e bem resolvida para exercer o otimismo e distribuir palavras de esperança e fé. Tenho verificado que, quando eu o faço, ainda que, dentro de mim, haja uma tempestade, o meu inconsciente registra e grava estas impressões e, sem que eu perceba, minha harmonia interior é conquistada.

Antes eu esperava passar o furor da mágoa e do ressentimento para perdoar. Tenho notado que repetindo diversas vezes a palavra Perdão, ainda que sem muita convicção, os sentimentos de mágoa e ressentimento perdem completamente a força e minha alma sente-se abrandada.

Antes, se adoentada, eu esperava a saúde voltar para botar as mãos na massa. Tenho constatado que, mesmo dentro de algumas limitações físicas, há algo que se pode fazer. Por pouco que seja, devolve-me a abençoada sensação de ser útil, tocando o instrumento que me compete na grande sinfonia da vida e isto é metade da cura, senão toda ela.

Antes eu esperava estar feliz para distribuir sorrisos. Descobri que sorrindo, mesmo com uma lágrima pendurada no canto do olho, nos sorrisos que recebo de volta, eu encontro forças para enxugar as minhas próximas lágrimas.

Antes eu esperava receber um benefício para agradecer. Hoje eu agradeço por antecipação, agradeço tudo: as pessoas, a família, o trabalho, as circunstâncias. Agradeço até mesmo os revezes e os ventos contrários e descubro que, só assim, eu mantenho abertos os canais por onde fluem o infinito amor de Deus e as bênçãos universais.


(Fátima Irene Pinto - em Ecos da Alma)