quarta-feira, 23 de junho de 2021

MINIMAMENTE FELIZ.


A felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas.

Um pôr de sol aqui, um beijo ali, um livro que a gente não consegue fechar.

São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem, alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.

Eu contabilizo tudo de bom que me aparece, sou adepto da felicidade homeopática.

Tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.

Alguns crescem esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural. Dá pra ser feliz no singular: Podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhados e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

E faz parte da minha ‘dieta de felicidade’ o uso moderadíssimo da palavra ‘quando’.

Aquela história de ‘quando eu ganhar na Mega Sena’, quando eu tiver um emprego fabuloso’. Tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje.

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveite o momento.

E quem for ruim de contas, recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades.

Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam.

Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.

(Leila Ferreira)